Aguardando um Novo Advento: O Natal que Ainda Esperamos
PASTORAL
12/28/2025


Como igreja, ao celebrarmos o Natal, somos naturalmente conduzidos a Belém. Recordamos a manjedoura, os anjos, os pastores e o silêncio santo daquela noite em que o Verbo se fez carne. Contudo, a Escritura nos ensina que o Natal não aponta apenas para trás, mas também para frente. O nascimento de Cristo inaugura algo que ainda aguarda sua plena consumação. O Salvador que veio em humildade voltará em glória.
Vivemos em um mundo marcado pela quebra. Lágrimas, perdas, injustiça, dor e morte fazem parte do nosso cotidiano. Ainda assim, celebramos o Natal com esperança, porque sabemos que a história não termina aqui. João nos conduz a essa esperança quando declara: “Então vi um novo céu e uma nova terra” (Ap 21.1). O que Deus promete não é a fuga da criação, mas a sua renovação.
Apocalipse 21 não descreve o fim do mundo, mas o futuro do mundo redimido. O problema nunca foi a criação, mas o pecado que a corrompeu. O primeiro Natal marcou a entrada do Redentor na história; o último marcará a redenção da própria criação. Tudo aquilo que hoje conhecemos como dor, injustiça, doença e morte tem prazo de validade. “As primeiras coisas já passaram” (Ap 21.4). Essa é a esperança concreta do povo de Deus.
João também vê a cidade santa descendo do céu, preparada como uma noiva. Assim como Cristo desceu do céu na encarnação, a Nova Jerusalém desce na consumação. Isso nos lembra que a salvação é, do início ao fim, obra da graça soberana de Deus. O primeiro Natal foi Deus vindo habitar conosco em Cristo; o Natal eterno será Deus habitando conosco para sempre.
O centro dessa promessa não é apenas um lugar perfeito, mas uma presença perfeita. “O tabernáculo de Deus está entre os homens” (Ap 21.3). Aquilo que foi limitado no Antigo Testamento, revelado em Cristo no primeiro Natal, agora se torna pleno e definitivo. O maior presente do Natal eterno não é a ausência de sofrimento, mas a presença permanente de Deus. Não haverá mais separação, culpa ou silêncio divino. Deus estará conosco, de modo irreversível.
Essa presença transforma também nossa dor. João escreve que “Ele lhes enxugará dos olhos toda lágrima” (Ap 21.4). Não se trata apenas de remover a causa do sofrimento, mas de um cuidado pessoal e amoroso. Nenhuma lágrima será ignorada. Nenhuma dor ficará sem resposta. O sofrimento é real, mas é temporário; a glória é eterna.
Enquanto aguardamos esse Natal final, vivemos entre duas vindas. O primeiro Natal já aconteceu; o segundo ainda esperamos. Por isso, a Bíblia termina com um clamor cheio de fé: “Certamente venho em breve… Amém. Vem, Senhor Jesus!” (Ap 22.20). Esperar a volta de Cristo não é escapismo, mas esperança ativa. Vivemos, trabalhamos, servimos e perseveramos com os olhos fixos na eternidade.
Esse futuro glorioso redefine o presente. Sabemos que a injustiça não é definitiva, que a morte não tem a última palavra e que o sofrimento não governa a história. Vivemos hoje como cidadãos do Reino que virá. Não dominados pelo desespero do presente, mas sustentados por uma promessa futura.
Neste fim de ano, a Palavra nos convida a alinhar o coração com a eternidade. Celebramos o que Cristo já fez, permanecemos fiéis no presente e aguardamos, com alegria, o que Ele ainda fará. O Salvador chegou. O Salvador reina. E o Salvador voltará. Que essa esperança molde nossa fé, fortaleça nossa perseverança e nos ensine a viver com os olhos fixos no dia em que Deus fará novas todas as coisas.
Amém. Vem, Senhor Jesus.
Soli Deo Gloria
Pr. Flávio Costa
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